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Flauta doce e flauta transversal
[ Flauta Transversal ]      A flauta é o primeiro instrumento da humanidade. Sua origem remonta desde o período neolítico, quando o homem, querendo imitar o som dos pássaros, produziu os primeiros instrumentos de sopro que se tem registro, através de bambus perfurados. Os dois tipos mais comuns de flauta são: a doce, que consiste em fazer passar o sopro por um bocal em forma de cunha situado na extremidade de um tubo, muito utilizada no Renascimento e no Barroco ( por volta de 1500 ), e a transversal, onde se sopra num orifício ovalado, situado a sete centímetros da extremidade superior do tubo, o qual é fechado. 
       A flauta transversal é facilmente localizada em uma orquestra, pois o músico a segura para o lado enquanto sopra, enquanto a flauta doce é tocada na posição vertical e é muito usada na musicalização infantil. Cada um desses tipos possui uma grande variedade de modelos, que se distinguem pelo tamanho, afinação e pelo material do qual são feitos. A flauta doce tem suas notas afinadas através de um sistema de perfuração, ao longo do seu corpo. A transversal, também se apresentava da mesma forma, até que no século IXX, o flautista Böehm desenvolveu, para ela, um interessante mecanismo de chaves, que muito contribuiu para o desenvolvimento de uma maior agilidade na execução e, conseqüentemente, para uma ainda maior popularização do instrumento.
        Mozart escreveu dois concertos para Flauta e Orquestra. Varèse também fez peças solo para Flauta, além dos solos orquestrais como os do Prelúdio do segundo ato de Carmen, de Bizet, e a Dança das Flautas, da suíte Quebra Nozes, de Tchaikovsky; são apenas exemplos magníficos do que se pode fazer com um só instrumento, de toques rapidíssimos e ao mesmo tempo suaves.

 

Saxofone
       O inventor do saxofone Antoine Joseph (Adolph Sax) pertencia a uma família judia de fabricantes de instrumentos musicais. Estudou flauta e clarineta e [ Saxofone ] aperfeiçoou o clarineta-baixo (clarone). Talvez daí viesse a idéia de fabricar um novo instrumento, pois o formato do clarone e o do saxofone são bem semelhantes. Mas o primeiro saxofone nasceu quando Adolph adaptou uma palheta de um clarinete ao bocal de um ofíclide (um predecessor da tuba, só que em forma de "U", como o fagote). Adolph trabalhou em Paris para o Serviço Militar Francês. Tendo concebido o saxofone como um instrumento que combinaria os instrumentos de madeira com os de metal, pela produção de um som que descreveria propriedades de ambos, Adolph submeteu-o a teste com as bandas militares francesas. A aceitação foi imediata. 
       A família dos saxofones é muito ampla e os mais comuns são o sopranino, em Mi bemol; o soprano, em Si bemol; o alto, em Mil bemol; o tenor, em Si bemol; o barítono, em Mi bemol e o baixo; em Si bemol. É sempre constituído em metal, embora as características técnicas, tais como o uso de palheta simples, o façam ser incluídos nos instrumentos de sopro-madeira.
       Acredita-se em geral que o saxofone tenha sido revelado pelo jazz. Na realidade, o instrumento só entrou no jazz na década de 1920, enquanto desde 1857 havia um curso de saxofone no conservatório de Paris, sob a direção de Adolph Sax. Em 1855 apresentou-se pela primeira vez na orquestra. No início do século XX, alguns compositores escreveram solos para saxofone e orquestra como a Rhapsody de Claude Debussy e a Fantasia para Saxofone Soprano e Orquestra de Heitor Villa-Lobos.

 

Clarineta
       A clarineta ou clarinete foi aperfeiçoado por volta de 1690 a partir do [ Clarineta ] instrumento conhecido como chalumeau, sendo o último a ser incorporado à orquestra entre os principais instrumentos de sopro. Seu inventor Johann Denner, deu o nome de clarineta devido a suas notas agudas parecerem similares em brilho às do trompete agudo, cujo nome em italiano era clarino. 
       As clarinetas eram originalmente construídas em três tamanhos: afinadas em dó, em si bemol e em lá. A clarineta em dó tornou-se por fim obsoleta devido à superioridade do som das outras duas. De todos os instrumentos de sopro, possui a maior extensão de notas. O clarinetista tem grande controle sobre a expressão e a dinâmica, podendo tocar súbitos crescendos e diminuendos com facilidade. A clarineta é igualmente capaz de tocar melodias suaves e expressivas ou rápidas e rítmicas. Ela pode ser extremamente ágil, tocando grandes saltos intervalares com pouca dificuldade. Arpejos rápidos e borbulhantes são particularmente efetivos.
       O Romantismo marcou o apogeu do clarineta, que já tinha sofrido vários aperfeiçoamentos mecânicos. Foi alvo preferencial para os compositores da época, de tal modo que este instrumento adquiriu, nesta altura, um papel de relevo ao nível de gêneros como a música sinfônica, ópera e música de câmara bem assim como ao nível da escrita de obras a solo. 

 

 

 

Gaita
       A gaita ou harmônica é de origem controvertida e pouco conhecida. Sua invenção é atribuída ao imperador chinês Huang Ti que, a aproximadamente 4.500 anos atrás, construiu um instrumento chamado sheng, que significa voz sublime. Ele era feito de cinco tubos de bambu, cada um com uma palheta de comprimento diferente que reproduzia a primitiva escala chinesa de cinco notas. Sabe-se que sua verdadeira história começou em 1857, na Alemanha, quando o relojoeiro Mathias Hohner começou a produzir gaitas em grande escala. Com a imigração em massa dos alemães na segunda metade do século XIX, a gaita se espalhou pelo mundo.
       São diversos tipos de gaitas e centenas [ Gaita ] de modelos. Existem aquelas com apenas um bocal, com dois, três e até seis bocais. Algumas têm bocal reto, enquanto outras apresentam bocal curvo. As mais conhecidas e usualmente empregadas são as harmônicas para solo. Estas pertencem a dois tipos distintos: harmônica tipo diatônica e harmônica do tipo cromática.
Em 1923, o alemão Alfred Hering, fundou sua empresa na cidade de Blumenau no Brasil e começou a exportá-las para todo o mundo. Atualmente, comandada por um grupo de investidores, a Hering produz instrumentos de altíssima qualidade, exportados para toda Europa e EUA e muitas vezes referenciados como um dos melhores do mundo.
       Por muito anos a Harmônica foi negligenciada como instrumento musical, até mesmo tratada como um brinquedo musical, conhecido popularmente como Gaitinha de boca ou simplesmente Gaitinha, como ainda ocorre em muitas regiões como norte e nordeste é chamada de Realejo. Em Portugal chamada de Harmônica de Beiço e em outras regiões da Europa particularmente na França é tradicionalmente tratada como Harmônica.
       Superados alguns preconceitos, atualmente a gaita tem conseguido algum reconhecimento entre o grande público e até mesmo entre conceituados músicos tendo adentrado às salas de concerto.
       Entre os grandes músicos e renomados maestros alguns já compuseram peças musicais para este instrumento, até mesmo sob a forma clássica do concerto, como por exemplo Radamés Gnattali e Heitor Villa-Lobos, pioneiros no Brasil no que se refere à composição de concertos para Harmônica de Boca e Orquestra. Na verdade, muitos entre os músicos mais conceituados não conhecem muito bem as potencialidades da Harmônica de Boca.
       Juntando preço, praticidade e expressão, a gaita foi feita para tocar Blues. Muitos artista como Little Walter, Junior Wells, Carey Bell e Rod Piazza se tornaram mestres no uso do instrumento. Quando bem tocada, a gaita é um instrumento muito expressivo, por isso a sua utilização em bandas Blue. 
Aqui no Brasil temos artistas bem representativos como Jefferson Gonçalves, Sérgio Duarte e Alex Dupas.

     
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